sábado, 15 de outubro de 2011

Pequeno resuminho da Escola de Frankfurt


Qual é a influência de meios de comunicação de massa, como a TV, sobre uma sociedade? Como as pessoas são mobilizadas a acompanharem um noticiário como se estivessem assistindo a uma telenovela? Os primeiros filósofos que detectarem a dissolução das fronteiras entre informação, consumo, entretenimento e política, ocasionada pela mídia, bem como seus efeitos nocivos na formação crítica de uma sociedade, foram os pensadores da Escola de Frankfurt.

Max Horkheimer (1895-1973) e Theodor W. Adorno (1903-1969) são os principais representantes da escola, fundada em 1924 na Universidade de Frankfurt, na Alemanha. No local, um conjunto de teóricos, entre eles Walter Benjamin (1892-1940), Jürgen Habermas (1929), Herbert Marcuse (1898-1979) e Erich Fromm (1900-1980), desenvolveram estudos de orientação marxista.

Os estudos dos filósofos de Frankfurt ficaram conhecidos como Teoria Crítica, que se contrapõe à Teoria Tradicional. A diferença é que enquanto a tradicional é "neutra" em seu uso, a crítica busca analisar as condições sociopolíticas e econômicas de sua aplicação, visando à transformação da realidade. Um exemplo de como isso funciona é a análise dos meios de comunicação caracterizados como indústria cultural.

Em seu livro "Dialética do Iluminismo", Adorno e Horkheimer definiram indústria cultural como um sistema político e econômico que tem por finalidade produzir bens de cultura, como por exemplos os filmes, livros, música popular, programas de TV, que são considerados mercadorias estratégicas de controle social.

A ideia principal se resume em: os meios de comunicação de massa, como TV, rádio, jornais e portais da Internet, são propriedades de algumas empresas, que possuem interesse em obter lucros e manter o sistema econômico vigente que as permitem continuarem lucrando. Essas empresas vendem filmes, seriados, músicas e novelas não como bens artísticos ou culturais, mas como produtos de consumo que, igualando-se a outros produtos como calçados e roupas. Com isso, elas fazem com que as pessoas continuem sendo manipuladas pela mídia, ao invés de contribuírem para formar cidadãos críticos. Para Adorno, os receptores das mensagens dos meios de comunicação seriam vítimas dessa indústria.

Já na economia e política, a tecnologia e a ciência seriam empregadas para impedir que as pessoas tomassem consciência de suas condições de desigualdade. Um trabalhador que em seu horário de lazer deveria ler bons livros, ir ao teatro ou a concertos musicais, tornando-se uma pessoa mais culta, questionadora e engajada politicamente, chega a sua casa e senta-se à frente da TV para esquecer seus problemas, absorvendo a mesmos valores que predominam em sua rotina de trabalho. É desta forma que a indústria cultural exerceria controle sobre a massa. Como resultado, ao invés de cidadãos conscientes, teria apenas consumidores passivos.

Seguindo o caminho da publicação anterior, segue esse vídeo que é um resumão da Escola de Frankfurt. A música utilizada nos vídeos é a mesma, “Eu adoro minha televisão” do Capital Inicial, que traduz a realidade, principalmente, da população brasileira que é totalmente manipulada pelos veículos de comunicação e é dominada por um canal que produz entretenimento banal e persuasivo que aliena durante 24 horas e oculta a realidade que os rodeia.

Finalizo essa publicação com um trecho da música para reflexão.

“Ela é: meus olhos, meu coração
Estando triste ou contente
O que eu sinto, ela sente
Eu prefiro ficar
Deitado no sofá
Olhando a maravilhosa vida dos outros
Passar”.



 Até onde deixamos os meios de comunicação de massa nos influenciar?



Ótimo final de semana a todos. Abraço, Bruna.

3 comentários:

  1. Até onde deixamos os meios de comunicação de massa nos influenciar?


    Somos influenciados até a cabeça!!
    Quem não é,ser humano não deve ser,provavelmente nem deste planeta é,ou melhor,a partir do momento que entra no "arcabouço" humano,é impossível não se deixar influenciar,mas isso não cogita o fato de praticar tais influências.Só um ser com atividade cerebral remota para não adquirir influência devido aos meios de comunicação de massa.

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  2. E os processos de negociação? E o entrar em conflito político com a alienação e procurar "agir dentro das estruturas"? Creio na capacidade do comunicador de colaborar para o desenvolvimento de um consumo consciente e ao mesmo tempo em uma formação técnica que lhe dê subsídios para pensar nossa sociedade pós-industrial do consumo...

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  3. Sim,nós temos que levar em conta e devemos praticar os processos de negociação,mas,é complicado.

    Por exemplo,eu sendo funcionário de uma grande empresa,com uma cliente muito forte em potencial,é muito provável que ele não queira saber de consumo consciente,ele quer que a minha campanha surta efeito desenfreado,consequentemente,consumo alucinado do produto dele,quer ficar mais rico e poderoso,se eu for trabalhar "dentro das estruturas",vou "morrer de fome"!Não estou dizendo que serei um "Outlaw" na Ética,mas preciso vender,agradar o tonto do cliente e pagar as contas.

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